20/04/14

Ovinhos

Pedro fez quase tudo. Pintou e baguncou tudo. 
Os meninos já riram muito dos ovinhos que nós dois inventamos.




O da Laura foi a primeira vítima do dia.




Antes dos ovos pintadinhos, os três seguiram pistas, como num mapa do tesouro, assim como os dois maiores faziam desde que eram muito pequenininhos, até encontrarem os chocolates escondidos em cestas.
* * *
Laura dormiu fora, liguei pra ela e disse: Vem logo, Pedro tá te esperando pra procurar os ovos. Ela ainda falou: "mas, mae eu tenho quase 20 anos!" mas eu nao ouvi, já tinha desligado. Depois chegou, riu a valer de tudo e disse me abracando: "quando eu tiver 40 anos, mamae ainda vai estar escondendo ovos de chocolate pela casa nos  fazendo procurar"...
...é, acho que vou sim ;-)


Eu gosto da Páscoa, mais do que do Natal;-)

12/04/14

Falar de Deus

Ando tendo uma peninha de você, querido leitor, que gosta do blog como ele era antes. Vim hoje aqui te pedir desculpas. Sei que você gosta da Nina antiga, mas saiba querido, ela morreu. Aquela pessoa cheia de mágoas, tristezas, dores, que tinha muito pra falar e que estava sempre pronta para criticar, já nao existe mais. Morreu! É claro que ainda resta qualidades dela em mim, afinal, sou e sempre serei a pessoa cheia de amor que sempre fui. Mas agora, tudo, inclusive o amor que eu tinha, se transformou.  Já nao tenho muito pra dizer, sinto muito, será se você pode me desculpar? Nao tenho mais o olhar para a vida como tinha antes. Tenho os olhos e a esperanca somente no céu. Tudo mudou de maneira impressionante. Aliás, tenho usado esta palavra muito constantemente, tudo é tao impressionante pra mim. Como pode a visao de alguém mudar tanto? Eu já nao tenho motivacao para o que antes tinha. Já nao gosto do que gostava. E gosto muito de outras coisas, que nunca pensei gostar. Nao tenho interesse em quase mais nada, além das coisas de Deus. Veja, nao pense que virei uma lunática, descabelada com dentes estragados e de cara emburrada para a vida. Nao me veja usando roupas velhas, com cabelo fedorento, esquecendo de tomar banho e vivendo numa casa que mais parece uma lixeira com uma Bíblia na mao. Nao! Continuo bonitinha e arrumada :-) Meus cabelos estao limpos, eu continuo tomando banho todos os dias, os filhos estao muito bem alimentados e ainda passo maquiagem no rosto pra ir ao supermercado em frente de casa. Hoje comprei flores, verduras e mudinhas de ervas na feira e estou ouvindo música. A casa está muito bem arrumada e cheirosa, com pétalas de pequenas flores entrando pela varanda em uma linda e quente primavera que se inicia. 


Olhe, eu estou normal. Estou assim, exteriormente:


 Mas me sinto assim, interiormente:


 Sem o terno, claro ;-)
É assim, como nesta úlitima foto, que vou estar quando você me encontrar na rua, quando me escrever um email, quando me telefonar. É assim que estou por dentro, quando escrevo aqui, quando acordo e quando vou dormir... mesmo que exteriormente eu aparente ser alguém normal.

Nao sei o que te falar pra te agradar. Tento pensar em coisas para escrever aqui, mas nao tenho mais nada pra me queixar. Tenho outra visao dos problemas, que sim, continuam me sobrevindo, exatamente como antes, mas que nao me angustiam mais, já nao tiram mais meu sono. Quando algo acontece, já nao preciso vir correndo ao blog para desabafar, porque simplesmente, os problemas já nao me pertubam mais com a mesma intesidade de antes. Aprendi a entregar tudo nas maos do meu Deus. Minha alma anda leve como pluma ao vento, ou como essas pétalas e pólen que vejo hoje pairando no ar primaveril deste país florido em que vivo. Tudo mudou! As pessoas que me veem nao sabem, nao percebem, pra elas, sou a mesma. A pequena pessoa meio boba, de fala muito rápida e engracada que sempre fui. Mas se elas pudessem ver o meu interior hoje, ahhhh, quanta diferenca elas veriam! É como se eu antigamente, andasse com um saco invisível, pesando toneladas sobre as minhas costas e com as maos e pés acorrentados. E hoje, todo esse peso ter sido descarregado de mim, quando aceitei colocá-lo sobre o meu Senhor Jesus, que se prontificou a isso ao ser crucificado.
Portanto, querido, se o tema Deus, incomoda você, esteja à vontade para fechar esta página e nunca mais voltar. Sinto muito. Mas nao consigo ser mais a mesma Nina de antes. Vou falar sobre a maravilhosa, leve e  limpa vida que Jesus me deu, até o dia em que Ele resolver que é hora de partir de fato. 

06/04/14

Minha tia e uma oracao atendida anos depois

Amo minhas tias, mas uma tem sido especial pra mim, mesmo depois de 17 anos morta. Na época em que ela estava viva, sempre a vi como uma pessoa muito sofrida e nao entendia como  podia ter aquela presenca tao serena, mesmo passando por tanta dificuldade. Desde que me converti, tenho lembrado muito da minha tia Maria, a irma mais velha da minha mae. Inclusive, falei dela e de sua fé no primeiro post que escrevi, quando Deus me encontrou em maio do ano passado. Sei pouco da sua vida, mas estou certa de que esta foi bastante dura com titia. Sei que quando jovem, trabalhou em uma empresa que produzia juta, que é uma fibra têxtil extraida de uma planta, muito comum na Amazônia, e que passa por vários processos trabalhosos até virar na maioria dos casos, aqueles sacos ásperos que embalam graos de café. Lembro das minhas tias comentarem sobre esse trabalho duro na fábrica de juta, e de como saiam de lá cansadas e com cheiro ruim da própria matéria prima com a qual trabalhavam. Nos anos 40, 50 era um trabalho bracal. 

Minha tia conheceu seu marido nessa época. Teve três filhos mas se separou depois de alguns anos,  nao sei a razao da separacao  e quem foi que pediu o divórcio, só sei que minha tia nao recebia qualquer apoio do ex-marido e viveu toda sua vida sozinha. Era a família quem a ajudava na criacao dos três meninos. Ela morava numa casinha no quintal da minha avó, e era uma casinha tao pobre que dava pena de ver. Só lembro nessa época dos tios comendo melancia no quintal e do meu primo, filho dela, correndo atrás de gatos e fazendo maldade com os pobrezinhos. O menininho era terrível! Os filhos foram crescendo e minha tia se viu numa situacao dificilima quando a filha mais velha, uma menina lindíssima, de uns 15 ou 16 anos, comecou a se envolver com um marginal do bairrro. Ele era um bandido de verdade! Que maltratava muito minha prima e seus próprios filhos. Essa foi a época que minha tia mais sofreu, e até minha prima se desligar desse homem demorou muitos anos. Ele ia a casa da nossa avó para fazer confusao, gritar e ameacar toda nossa familia. Foi morto por outros bandidos. E minha tia foi ao velório. A única da família que compareceu. Passado algum tempo, sua filha mais nova, de apenas 16 anos, a menina mais tranquila e bondosa que já conheci, morreu de apendicite furada. Nove dias depois, o pai dessa minha prima, morreu. Ninguém sabe de que, dizem que foi de remorso por ter negado atencao a filha quando ela, alguns dias antes de dar entrada no hospital, lhe pediu o único presente em toda a vida, um relógio de pulso que ele negou. Dois meses depois, a mae da minha tia, minha avó Laura, que estava internada de câncer há alguns meses, morreu também.  Antes tinha pedido pra ir para casa e ficou lá ainda alguns meses até ser chamada por Deus.
Agora imagine a cena. A mesma mulher que desde mais ou menos os vinte anos, sofreu com marido ruim e distante, que teve problemas seríssimos com a filha que se envolveu com um marginal, perdeu a filha mais nova de repente, o ex marido que ainda amava e a mae, em menos de três meses! 
Eu via essa minha tia, que era extremamente magrinha, e aparentava ser  muito mais velha do que de fato era, e nao acreditava como alguém podia aguentar tanta dor. A filha mais velha, de vez em quando dava problemas, os netos aumentavam, o dinheiro diminuia, a saúde piorava (ela desenvolveu em funcao de sua pressao alta,  uma doenca popularmente conhecida como coracao grande, que lhe fazia sempre ter falta de ar e extrema fadiga). O mundo parecia estar caindo sobre a cabeca daquela tia que podíamos ver os batimentos de seu peito e pulsacao das veias esverdeadas, através da pele branca e magérrima, daquela que parecia ser feita só de pele e ossos, e ela, sorria serena e tranquila e lia a sua Bíblia, emanando paz e serenidade. Foi ela quem meteu medo na menina bobona que eu era, quando nos anos 80, lia pra nós o apocalipse nos fins da tarde. (Acho que esse foi o único erro dela ;-) Nao lembro de ver minha tia chorar além da conta (nesses dias da morte dos seus), nao lembro de vê-la com raiva, xingar algo, reclamar de qualquer coisa. Era a pessoa mais serena, sensata e tranquila que já conheci. Nunca ouvi de sua boca qualquer palavra de torpor, nunca ouvi um gemido sequer de murmúria, nunca! Pelo contrário, daquela boca só ouvi risos discretos, palavras de consolo, bencaos e gracas a Deus. Hoje eu vejo minha tia, que morreu tranquilamente enquanto dormia,  de uma maneira diferente daquela época. Nao a vejo mais como uma sofredora, porque sim, ela sofreu bastante, mas nunca aparentou isso e nem o seu interior sofria. Nao que ela quisesse provar o quanto era forte, absolutamente! Mas ela tinha uma fé completamente inabalável no seu Senhor. Quando tudo lhe faltava, a única coisa que ela repetia era "Deus proverá" e é fato que Ele sempre proveu! Mesmo que minha tia tivesse muito pouco, ela sempre recebia de minha mae ou dos outros tios alguma coisa e nunca algo realmente lhe fez falta. Ela precisava de pouco e o pouco que tinha, ainda repartia com os filhos e netos. Foi morar com a minha outra tia quando mamae foi buscá-la a fim de que descansasse um pouco para ter sua saúde recuperada e ficou ainda por alguns anos sendo cuidada e cuidando de todos nós, na casa que antes morava a minha avó, no mesmo quintal onde havia muitas plantas e gatos e comia-se melancia.

Ela e todas as outras tias falavam de Deus pra mim e minhas irmas. Nós nunca demos muita atencao às suas palavras. Queríamos ser donas de nossas própria vidas. Deus era muito chato e ranzinza e iria cortar nosso barato, assim eu pensava. Mesmo com toda nossa rebeldia, todas as tias sempre traziam nossas fotos dentro de suas Bíblias e guardavam nossos nomes e de nossas famílias em papeizinhos que liam em suas oracoes. Muitos anos depois de ver fotos minhas naquelas velhas e desgastadas Bíblia, eu faco o mesmo hoje. E agradeco a minha tia Maria, a dona de um semblante iluminado por Deus, por nao ter desistido da gente.

* * *

"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis" 1Pedro 4:12.
 no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis".

31/03/14

Meu primeiro curso de culinária- Mein erster Kulinarischer Kurs



rosbife e alcachofra
Outro dia fiz um daqueles cursos de um dia, de culinária francesa.  Foi tão bacana!

O grupo era super simpático e isso fez com que as horas corressem de forma muito agradáveis. Aprendi um monte de dicas na cozinha e conheci pessoas super queridas. 

O   curso  da Art Cousine,  foi na cidade de Münster, na Alemanha. É meio longe de onde moramos, mas como era perto da minha amiga Chris, aproveitamos para conhecê-la.


A linda Münster


 Münster é uma gracinha de cidade,  cheia de bicicletas como eu gosto e com padarias maravilhosas!


E o curso foi ótimo! 
Amei cada minuto passado lá. E você, quando surgir oportunidade de fazer um curso de culinária, faz!


Os simpáticos chefs!

Se você der sorte de encontrar um chef simpaticíssimo como o nosso Joachim, e sua ajudante Gudrun, e os outos participantes forem pessoas agradáveis como as que fizeram parte comigo desse curso, te dou minha palavra que você sairá de lá satisfeitíssimo com o que cozinharam e de quebra ainda corre o risco de fazer bons amigos ;-) 

O alegre grupo

Infelizmente não sei o que houve com minha máquina, as fotos não ficaram boas, mas dá pra ver que foi uma noite muito gostosa em todos o sentidos, não dá? O grupo era composto de oito pessoas que foram dividas em grupos, cada um encarregado de partes do que seria servido. Fizemos tudo, desde as entradas, prato principal até a sobremesa. Que foram na sequência: ratatouille, filé de dourado com ragout de batata e cebola, rosbife com alcachofra e de sobremesa uma deliciosa tarte tatin com alecrim e amêndoas. Tudo ficou uma delícia, ainda mais regado com bom vinho e alegria. Hmmm,coisa mais boa gente! 
Essa semana vou fazer de novo aqui em casa, nham!

Agora dá licença que vou escrever um bocadinho em alemão pra eles, que assim que souberam que eu tenho um blog, toparam fazer a foto, contanto que eu repassasse o endereço pra eles verem ;-)

***
Hallo meine Lieben, ich bin recht spät dran mit dem Post über unser schönen Abend. Aber hier bin ich! Ich habe Euch nicht vergessen. Und die tollen Geschmäcke sind noch in meiner Erinnerung. Es war sehr schön, Euch alle kernenzulernen. Ich hoffe, dass es Euch gut geht. Habt Ihr schon etwas zu Hause probiert? Ich koche diese Woche alles noch einmal ;-) 
Vielen Dank für diesen tollen Abend.
Liebe Grüße an alle.

ps. Lieber Joachim und liebe Gudrun, Ihr seid einfach super ;-)


21/03/14

Quando me enganei com relacao a Deus

Quando eu era mais jovem e alguém vinha falar de Deus pra mim, lembro de duas reacoes que tinha: uma era pensar que quando fosse mais velha, resolveria esse problema, a outra era um forte medo de ser crente. Eu tinha horror em pensar na seguinte cena: eu sofreria um acidente, ou qualquer coisa que me deixasse à beira da morte. Entao, naquele momento em que eu estivesse morrendo, já com os batimentos cardíacos diminuindo, viesse alguém perguntar se eu aceitava Jesus como meu salvador. Eu diria - claro que aceito, afinal, to à beira da morte, já vivi o que tinha que viver, já enchi a cara, já vomitei muito em bares, já fui a baladas, já namorei muito, já fiz o que quis, Deus nao vai mais atrapalhar minha vida.-  Aí tá. Pronto. Aceitei e tals. Passados alguns dias, alguma coisa acontece e nao morro. E agora? To ferrada! Disse que aceitava Jesus e nao morri. Putz! Porque disse aquilo? A verdade é que eu ligava, crer em Deus, como uma obrigacao.

Eu tinha pavor de ser crente. Pavoooor! Acho que fiquei muito traumatizada com os crentes que encontrei pelo caminho. Sempre achei aquelas pessoinhas fora do normal. Eram pessoas que em sua maioria, viviam debaixo de regrinhas que eu nao entendia. Como podem viver sob tal julgo pesado? Achava os crentes meio burros, como podem ler só a Bíblia? Como conseguem nao sair à noite pra beber e dancar nas boates nos fins de semana? Que papo é esse de usar essas roupas longas? Ter esses cabelos? Andar com Bíblia debaixo do braco pra cima  e pra baixo? 

Daí, teve uma época que eu, desesperada que estava com a vida que tinha, fui a uma igreja. Eu era uma pessoa meio espiritualizada, que procurava muito. Tinha medo de ser crente, mas tinha uma certa fezinha em Deus. Orava à noite, fazia o bem a todos, ouvia com respeito as coisas de Deus, nao blasfemava, tinha respeito enfim, mas nao queria de modo algum, ser crente. Era muito chato! E também nao era só ligada ao Deus que ouvia minha família falar, lia livros de auto ajuda e espiritualidade oriental, vivia repetindo mantras, me olhava no espelho repetindo palavras de incentivo, fazia meditacao, jurava que ia mudar nisso ou naquilo, tinha uma forte tendência a crer no espiritismo, só nao ia a macumbeiras, porque isso ia muito contra a crenca obtida numa infância cheia de ler os salmos que as tias tinham abertos na sala. 
Mas a vida depois de casada, apertou de tal modo minha situacao, que fui a uma  dessas igrejas pentecostais. Nas primeiras reunioes fiquei assustada, era muita movimentacao ali, muita paixao, muita gritaria, mas como eu queria acreditar que Deus me daria alguma coisa, insisti. Fiquei indo por uns dois anos. Eu gostava sabe? Gostava dos cânticos de louvor. E gostava da forma que eles me ensinaram a falar com Deus, nao era mais como uma repeticao como fazia com minha rezinhas bestas ao dormir ou meus mantras idiotas, nao era nada automático, era somente abrir a boca. Mas ao mesmo tempo que eu gostava de algumas coisas, detestava outras. Aqueles "pastores" só falavam em dinheiro. Volta e meia, rolava o papo de ofertas, de campanhas disso ou daquilo, eu tinha até medo quando eles anunciavam uma campanha nova, onde quem ofertasse mais dentro de um envelope pessoal, seria mais abencoado por Deus. E ainda tinha junto a isso, a busca pelo batismo do Espírito Santo. Parecia mais uma concorrência pra saber quem era o maior sortudo da parada. Aquele que falasse com a língua mais enrolada, sairia o vencedor. Eu nem cuidava de mim, mas dos outros ao meu lado, "puxa, olha só esse aí, tá cheio do Espírito, coitada de mim". Aquele, com certeza, teria o carrao mais bonito no estacionamento enorme da igreja, a casa mais linda, tinha feito as viagens mais incríveis e era certamente, o empresário mais bem sucedido. 

Mas entao, eu notei, um dia, que aquilo que me atraiu àquela igreja, era exatamente o que estava me expulsando dali. O dinheiro!  Mas isso só vi de uns tempos pra cá. Naquela época, nao queria Deus, eu queria o que Ele tinha pra me dar. Nada mais que isso. Nem certa eu estava de querer Deus vivendo em mim, me enganei por um tempo, mas mesmo que me permitisse chorar nos louvores movida pela emocao (que essas igrejas costumam fazer com a gente), fazer ofertas grandes, que na época, me eram muito difíceis, implorar pra receber o Espírito  Santo, nada daquilo era real em mim. Nao queria Deus, assim como nao O queria quando mais jovem. Queria somente, o que Ele tinha pra me dar. E sabe que Ele mesmo assim me deu? Nossa vida financeira deu nessa época uma, muito  leve guinada. Mas nada mudou no meu interior. Eu continuava fugindo de Deus. 

E saí da igreja pra nunca mais voltar. 

Uma coisa muito estranha, é que, hoje eu sei, que  mesmo que buscasse o Espirito Santo de Deus, eu nao O tinha. Porque eu era uma interesseira! E só notei isso há pouco tempo. Quando você nao crê de fato em Deus, a Bíblia é um livro totalmente fechado pra você. Nao há como entender o que diz ali, porque o entender vem de Deus, é Ele quem abre nossos olhos para Sua Palavra. Naquela época, eu lia a Biblia, mas nunca entendi nada, nunca ficou NADA gravado em mim, porque eu fazia aquilo forcada. Pra você ter uma ideia, da minha grande burrice espiritual, eu entendia o faz de mim "um vaso novo" como um vaso sanitário!!! Isso nao é um absurdo??? Ficava pensando em mim como sendo um vaso sanitário! Meu Deus, que louca!  Pensando melhor, agora, talvez estivesse até correta a minha percepcao de mim mesma, eu era um monte de m*

Hoje, sou crente, sou crista, com o maior orgulho e amor que você possa imaginar! E adivinha? Leio a Bíblia e livros cristaos totalmente fascinada, porque  a Palavra de Deus é cheia de vida. Hoje entendo o que é ser cristao e é bem diferente daquilo que imaginei. É ter Deus, ter o Espírito Santo, habitando dentro da gente, para sempre, nao como um hóspede, mas como um morador definitivo. É sentir seu toque em cada situacao, em cada ambiente. É andar em total e plena comunhao com Ele. Saber que sua vida nao lhe pertence e ficar muito feliz por isso. Saber que cada passo seu, será dirigido por esse Deus, que te cuida e te guarda. É nao ter medo do futuro. Que mesmo que você esteja doente, pobre, nao tenha tudo aquilo que deseja, sabe que Deus te dá o que você precisa, e que nada dessa matéria que você vê a sua volta, tem valor realmente, porque se Deus habita em ti, há plenitude de amor, de preenchimento na sua alma. E você passa a ver que já nao precisa de muita coisa que achava que precisava. Vazio é coisa do passado, porque você sente teu ser expandir, com uma pulsacao incrível dentro de ti. E que é um preenchimento tao completo, que nada, ninguém neste mundo pode te dar, a nao ser esse Deus MARAVILHOSO que te escolheu muito antes de você ter nascido. Que sabia de ti muito antes de você nascer. Que te ama e te chama. Que está do teu lado, sussurrando baixinho  e serenamente o teu nome.  Esse é o Deus que me ensinou a enxergá-lo de verdade. 

E como sou grata por ter sido escolhida. Quanto privilégio! Me sinto a mais rica das criaturas.  

19/03/14

Sala de estar

Eu nunca gostei muito da minha sala de estar. Gosto como arrumei todo o nosso apezinho, mas a sala nunca me agradou realmente. Esses dias, parei pra dar uma geral na bichinha, e sabe que eu até gostei? Tudo bem que às vezes ela me lembra o que sou, tipo assim, o samba do crioulo doido, como dizia minha mae, mas eu gosto de tudo misturado mesmo. Sei que exagero nas cores, mas nao rola comigo ficar numa de tom sobre tom. Nunca!  Nao tem jeito. Essa nao sou eu. Às vezes penso que seria legal economizar uma graninha pra pagar um decorador, mas sinceramente, eu acho que nunca vou fazer isso, primeiro porque é muito caro, e segundo, porque pagaria num dia e no outro, já estaria mudando tudo de novo de lugar, porque sou meio que coracao vagabundo,como dizem os alemaes :-)

Mas vamos parar de papo. Quer ver a sala? Olha aí. E pode falar se nao gostar, e caso tenha uma ideia melhor pra mudar alguma coisa, fique à vontade para palpitar...



 O bar é doideira do marido, faz de conta que nao viu... parece casa de cachaceiro! :-/

 Visao geral, com a sala da jantar, ao fundo

 Tinha acabado de chegar da rua e vi que a echarpre combinava com almofada. 
"Olha o passarinho, sua doidinha!"

ps. mesmo eu nao achando a sala muito super hiper legal, outro dia uma amiga veio aqui e disse uma coisa muito lindinha, que a nossa casa é toda feita de amor. Ownnnnnn... gostei tanto ;-)

17/03/14

Seja bem vinda primavera!

Deste inverno, pelo menos na regiao em que moro, nao podemos reclamar. Foi o inverno mais ameno que presenciei desde que moro na Alemanha, há quase 8 anos. Mas nada como receber a alegria que a primavera traz, com temperaturas acima de 17 graus, muito sol e flores.

Algumas das primeiras flores que surgem nas ruas, nessa época:

 E a maioria que surge vem assim de repente, sequer estao nos jardins, nao foram plantadas realmente, surgiram simplesmente, no meio de um campo meio sem vida ainda com o restinho do inverno...

14/03/14

No cangote de Deus

Nao sou mulher de dar beijinhos ao encontrar alguém. Nunca soube lidar bem com isso. Parece tao fresco! Nunca sei em que regiao do Brasil se dá um beijo, dois, três. Quando uma pessoa dá dois, a outra que dá três, fica com cara de tonta esperando o último beijo. Chato é também, quando se dá somente um (no meu caso, o melhor de todos) a outra que dá dois, beija o ar. Esquisito demais. Por isso gosto tanto de ver os alemaes, que nao dao beijos, dao abracos. Isso, obviamente, quando estao entre conhecidos. Quando nao, sempre se dao as maos. Mas eu, que sou uma pessoa extremamente expansiva e espontânea, abraco todo mundo. Percebi isso mais claramente nas últimas semanas. Outro dia fiz um curso de culinária, daqueles de um dia somente. Foi ótimo, qualquer dia conto aqui o que fizemos. Mas foi engracado por que no fim - éramos 10 pessoas -  eu, ao me despedir, abracei cada um deles, um por um. E eles entre si (todos alemaes) se deram as maos. Mesmo que tenhamos tido horas super agradáveis, no fim do curso, só eu abracei todo mundo e todo mundo me abracou tao carinhosamente! Depois disso, encontrei minha amiga Chris, na Holanda. Abracei aquela bichinha e quase nao soltei. Ao conhecer seu marido, dei um abraco normal, mas quando ele nos levou pra comermos kipling, que sao uns pedacos de peixes frescos empanados que achei tao deliciosos, fui correndo abracá-lo pela ótima ideia. E dessa vez dei um abracao! Em Amsterdam, abracei o dono do apartamento que alugamos, ao nos despedirmos, que havia nos tratado extremamente bem! Ontem mesmo falei pro meu "chefe" que quando encontrá-lo pessoalmente vou lhe dar um monte de abracos. 
Agora, pensa comigo. Isso é normal?

Nunca tive problemas com esse meu jeito. Os alemaes nao fazem isso com desconhecidos, mas eu, mesmo tendo acabado de conhecê-los, faco, e eles nunca recusaram um abraco, pelo contráro, sao sempre muito receptivos. Mas ontem, fui dormir pensando nisso. Que maluca que eu sou. Na hora da minha oracao, fiquei "olhando" pra Deus e me questionando se isso era bom, que seria estranho que as pessoas me compreendessem errado, que eu nao queria passar uma má impressao de mim mesma. Entao me veio uma coisa à mente. Esta sou eu! e este é o meu jeito. 

O que me fez pensar que quando morrer, ou for simplesmente, levada ao encontro do meu Senhor, vou ter vontade de correr em sua direcao, com lágrimas nos olhos certamente, porque sou uma manteiga derretida, sem acreditar na visao que vou estar tendo, e vou querer, muito provavelmente, pular em seus bracos como uma crianca pula nos bracos de seu paizinho, quando este chega do trabalho, e vou querer ficar ali, cheirando seu cangote... eternamente. 
Tomara que ele deixe ;-)  

13/03/14

As bicicletas de Amsterdam

Nao vi streapers em ruas de luz vermelha, nem gente louca andando solta pelas ruas, mas fiquei enjoada ao passar em frente de muito lugar, por causa do cheiro de maconha. Sim! As ruas de Amsterdam fedem - ou pra quem gosta, cheiram -  a erva. Mas isso nao chega a ser um incômodo real, já que ninguém te incomoda. Se vacilar, eu vejo mais gente maluca aqui na minha micro cidadezinha do que na famosa cidade da maconha liberada. Mas consegui ver um pouco além dos clichês.

Gente legal, com cara de descontraída. Gente arrumada, bem vestida, mas nunca, absolutamente nunca, gente vestida em exagero. Meninas bonitas, de cabelos curtos, óculos de sol modernos tipo anos 80´s, meias longas coloridas e brilhantes. Vi boinas e muitos xales, principalmente ponchos. Sapatos sempre baixos e All stars em todo pé. Casacos mais leves por causa dos dias bonitos e ensolarados. Vi muitos cachorros educados. Prédios bonitos mesmo que muitos deles, sejam tortos. Talvez daí venha a beleza deles. Vi ruas entrecortadas por canais, barcos grandes e pequenos que passam de leve pelos rios. Flores que estao surgindo em cada floreira de janela, num maravilhoso e ensolarado início de primavera. E muitas janelas. Grandes, muito grandes. Pra mim que amo ver decoracao de casas de gente normal, Amsterdam foi uma fonte de inspiracao. Vi apartamentos muito bem arrumados, estilosos e elegantes, onde os donos já sabem, que ali, vai ter algum curioso olhando. E parece ser proposital esse arrumar, para que babemos ainda mais nas janelas de vidro. Uma amiga havia me falado das janelas da Holanda: grandes e baixas, como portas, sem cortina, na maioria. Mas só vendo pra conferir e desenvolver sua cara de pau de voyeur... aquelas janelas sim, nos deixam muito mais animados que qualquer streaper... Amsterdam é também exibicionista. No bonito sentido da palavra, se é que isso existe. Ela se exibe em janelas abertas, em parapeitos floridos, em gente que pedala, em feiras de rua, em queijos deliciosos em exposicao, em lojas bacanas, em rios limpos, em gente educada, em comida muito boa!  É também atrevida quando pedestres nao param no sinal vermelho, ou quando motociclistas nao usam nunca, capacete. Mas é linda. Principalmente quando pedala!

E foram, elas, as bicicletas, que me fascinaram. Me cegaram a vista pro resto das coisas. Eu só vi e só queria ver, bicicletas. Amo-as! Tanto que nao há uma foto minha, sequer, sem bicicleta. Até porque deve ser muito difícil existir uma parte da cidade, sem que elas nao estejam presentes. Fotografá-las é uma das minhas paixoes, e elas em Amsterdam, se exibiram bonitas demais pra minha pobre lente.
Já sabia da fama, mas também isso, só ao vivo pra entender. Nada que te falem sobre as bicicletas de Amsterdam é  capaz de traduzir aquilo que vemos ao estar ali. É simplesmente, um encanto!

Inicialmente elas assustam, porque estao por todos os lados e direcao, chega a ser perigoso. Estressam um pouco aqueles que nao estao acostumado com tanto movimento das magrelas, mas logo depois, nossos olhos se adaptam. Entao passamos a enxergá-las. Sao brancas, coloridas, modernas, antigas, novas, velhas e muito velhas. Os que as pedalam, sao jovens, velhos, maes, pais, criancas... bonitos  e com estilo. Levam pessoas na garupa - coisa que na chata Alemanha é proibido -  e nas cestas levam flores, bolsas, livros, cachorros, verduras compradas na feira, tudo! As cadeirinhas de criancas estao na frente, atrás e algumas vezes, a meninada é empurrada em caixotes com rodas, na frente das bikes. Diferente da Alemanha, onde as criancas, se vao num carrinho preso a biclicleta, só podem ir atrás. A super segura e entendiante Alemanha! Suas cestas sao de palha, de plástico e caixotes de madeira. Faca sol, chuva, frio, calor, nao importa, onde quer que você esteja, haverá muitas bicicletas.

Um encanto e uma bela surpresa, foi Amsterdam.
























Gostei muito da Holanda! O holandes é um povo muito mais solto e leve, do que os corretos alemaes...

12/03/14

A delicadeza é uma pessoa

Tem a pele de pêssego e os olhos lindos. O sorriso aberto, com dentes perfeitos. Os olhos sorriem, apesar de terem um leve toque de tristeza. Faz parte, eu acho, esse toque melancólico, quando se tem olhos cor de mel. Ela se movimenta como uma pluma. Parece nao andar exatamente. Pisa leve. É leve. Delicada e gentil como uma princesa. E eu quando a vi, a abracei tao apertado e nao queria mais largar, que acho que a deixei sem ar por uns segundos. Os cabelos combinam com os olhos e com a pele, na cor e na beleza. Ela é toda bonita. O falar combina com o andar. É quieto, tranquilo e suave. Parece pensar em cada palavra que fala. Diferente de mim, que nao penso muito. Tem uma mistura de razao com emocao que combina com ela. Toda macia, como a pele de Elise. Seu bebê de quatro meses. Que tem olhos azuis como os do pai, mas o nariz, ela me disse, é da mae. E também as caretas que Elise faz, nao pertencem somente a ela. Claro! Elise a faz ver o amor crescer a cada dia e ela se sente completa com esse amor. Elise e Rubem. Amores encontrados na Holanda. Amor que ela rega e poe ao sol, como suas muitas plantinhas colocadas nas grandes janelas holandesas. Vive nessa casa de boneca, que tem um claro e enorme sótao. As escadas que levam até ele, sao branquinhas, como nas belas casas de revistas. Por toda casinha tem coracoes espalhados. E fotos da família. Nas gavetas, ela guarda seus desenhos que deveriam estar nas paredes. Lá também tem os desenhos da mae menina. Ela cria e descria e diz estar numa fase sem criatividade. Imagino quando voltar a ter. Ninguém segura essa menina, que fala três idiomas com o marido, e eu desconfio, que ao mesmo tempo. Menina que desenha, costura, cozinha e dá de mamar.  Menina linda e querida. Amiga-irma.

    Conheci minha maninha Chris, também blogueira.
Pessoalmente e finalmente.
Depois de mais de três anos de amizade feita através dos nossos blogs.
E ainda tem gente que diz que amizade virtual nao vai pra frente...